Nunca as esqueci pela presença assídua na mesa de refeições dos meus pais. A colheita no final do Verão permitia servi-las saídas do frigorífico, onde eram reservadas depois de assadas, ou mornas nos dias mais frescos. E quando faltava o apetite a alguém [coisa rara], era o remédio. Lembram-me o meu pai. Livros sobre árvores frutícolas ocupavam uma estante do seu escritório e desde cedo nos ensinou a identificar as variedades de cada espécie, no mercado ou no pomar. Como boa aluna, reconhecia algumas maçãs até de olhos fechados: a preferida Bravo Esmolfo pelo aroma perfumado, a Reineta pela textura e a Starking pela aspereza em volta do pedúnculo. Andava na universidade, quando o amante da natureza trocou naturalmente, a casa de Lisboa pela sua herdade no Alentejo. Passei a vê-lo a meio da semana quando os negócios o traziam à cidade. Ficava apenas uma noite, na manhã seguinte inquieto sabia que era hora de partir. Passava os fins de semana com ele no Alentejo e foi assim até morrer. Durante 17 anos em que amadureci, casei, tive filhos que cresceram. O sorriso aberto com que nos recebia e a forma mágica como falava daquele lugar, diziam-me que era feliz. De olhar vivo e rosto moreno, o seu cabelo era branco, castanho e louro. Mas não tinha espírito de eremita, os amigos de Lisboa visitavam-no, fez alguns na vila mais próxima. A sua necessidade de conviver levava-o a organizar grandes festas nos fins de semana, onde reunia todos eles. A boa disposição nunca faltava, boa comida [essencialmente caça que tanto aprecio] e este lindo bolo das rosas da região.
Está explicado porque sobremesas com frutas são as minhas preferidas?
Ingredientes para 4
4 maçãs [usei Mcintosh]
1/2 vagem de baunilha
2 c. sopa de açúcar mascavado
2 c. sopa de nozes picadas
2 c. de sopa de óleo de coco
pitada de sal
Aqueça o forno a 180ºC. Use um descaroçador de maças e retire o miolo até 3/4. Coloque as maças numa frigideira de ir ao forno.
Abra a vagem de baunilha longitudinalmente e raspe as sementes com o bico de uma faca.
Numa pequena tigela misture bem todos os ingredientes e recheie o interior de cada maçã.
Leve a assar uma hora ou até as maçãs se apresentarem macias.
4 maçãs [usei Mcintosh]
1/2 vagem de baunilha
2 c. sopa de açúcar mascavado
2 c. sopa de nozes picadas
2 c. de sopa de óleo de coco
pitada de sal
Aqueça o forno a 180ºC. Use um descaroçador de maças e retire o miolo até 3/4. Coloque as maças numa frigideira de ir ao forno.
Abra a vagem de baunilha longitudinalmente e raspe as sementes com o bico de uma faca.
Numa pequena tigela misture bem todos os ingredientes e recheie o interior de cada maçã.
Leve a assar uma hora ou até as maçãs se apresentarem macias.

Consigo perceber perfeitamente o encanto de certos ingredientes quando associados a lembranças boas e queridas, como estás do teu pai.
ResponderEliminarAs sobremesas com fruta também são as minhas preferidas, e essas maçãs devem deixar um perfume maravilhoso pela casa.
Beijinhos
Deixam mesmo Gori. A casa perfumada! :)
EliminarBeijo
Que bonito texto... Uma belíssima explicação e mais do que suficiente para gostares de sobremesas com fruta :)
ResponderEliminarE verdadeiro Ondina :)
EliminarQue post mais lindo Helena!! Aqui está um bom exemplo do quanto a comida é o veículo para momentos de partilha, memórias, recordações e saudade...
ResponderEliminarAdoro maçãs assadas e também sou grande apreciadora de sobremesas com fura, especialmente frutos vermelhos, o que leva o Nuno (o senhor cá de casa), que é fã de chocolate e caramelo, a refilar constantemente com as minhas escolhas sempre com nuances de vermelho, eheheh!!
Beijinhos grandes,
Lia.
Adoro essas sobremesas com nuances de vermelho. Tenho sorte porque todos gostam, mas faria na mesma se assim não fosse :)
EliminarBeijo
Bela receita e cheia de recordações melhor ainda!
ResponderEliminarLinda sua postagem, parabéns!
Bjs
Obrigada Andrea :)
EliminarBeijo
Lindo texto Helena! Cheio de boas meméorias!
ResponderEliminarE umas lindas maças, também adoro maçãs assadas, com baunilha ainda não experimentei! Hei-de fazer :)
Bjs
Boas memórias e bons tempos :)
EliminarEm casa dos meus assavam-se com mel ou açucar mascavado e canela. Mas há tantas variações que resultam. Gosto de imaginá-las e experimentar.
Beijo
Entendo te e revejo me em algumas das tuas lembranças....
ResponderEliminarTambém gosto muito de maçãs assadas mas assim nunca as experimentei...fiquei curiosa!
Bjokas
Rita
Rita
EliminarGostei muito desta versão, daí a partilha ;)
Beijo
Helena, a verdade é que sou daquelas pessoas em que a lágrima surge de forma fácil. Mas é verdade também que o teu texto transborda nostalgia e isso mexe e muito comigo. Sei que um dia, mais tarde, também eu vou sentir de forma avassaladora essa nostalgia.
ResponderEliminarEstá sim explicado. Um enorme beijinho.
Su
EliminarConfesso que também me aconteceu enquanto o escrevia. Mas sabes que sempre recordo o meu pai, com aquele sorriso aberto e boa disposição dele e apesar da nostalgia, sorrio. E a certa altura das nossas vidas, quando percebemos que nada é eterno, passamos a usufruir plenamente da companhia destes seres maravilhosos. Muitas vezes enquanto observava as brincadeiras de boxe dele com os meus filhos, pensava até quando? Sei que aproveitei :)
Bons pais, não morrem nunca, apreciámos a sua natureza, na própria natureza. São dádivas e ainda bem que conseguiste apreciá-la, porque bons filhos, também merecem bons pais :)
ResponderEliminarMaçã assada há-de ser sempre a minha sobremesa de eleição, sempre!
Beijo
Querida Ameixinha
EliminarÉ verdade que ele continua bem presente nos meus gestos e pensamentos :) Faço questão de o lembrar ao André que tinha 6 anos quando ele morreu, ao Tiago não preciso, a iniciativa é dele :)
Também gosto tanto que ligo o forno com este tempo!
Beijo com saudades
Claro que sim! As memórias são o que fazem uma receita... Mesmo! Às vezes lembro-me de algumas só de provar ou cheirar alguma coisa!
ResponderEliminarGosto bastante de maçãs assadas, são mesmo boas :)
Essas são especiais e intemporais, as melhores Avelã!
EliminarEste post toca no coração... Sente-se amor e nostalgia em cada frase...
ResponderEliminarÉ verdade que certos cheiros e sabores vêm carregados de recordações...
Adorei o texto e estas belas maçãs...
Bjos
Que bom Pimentinha qu gostaste. É bom partilhar!
EliminarBeijo
Olá Helena,
ResponderEliminarNenhum comentário que deixe será suficiente para exprimir quão bonito é este texto, esta memória e a generosidade de o partilhar. Quando voltar a fazer maças assadas (que tantas vezes as minhas meninas me pedem), vou lembrar-me deste post, desta receita, deste "aviso" para aproveitar enquanto ainda é possível.
Um abraço,
Guida
Gostei de te ler, pois partilhar estas histórias é um exercício a que me submeto( contra a minha natureza ) como uma terapia :)
EliminarFazes bem! Sabermos estar com quem gostamos, abracá-los quando nos apetece, rirmos muito e chorarmos juntos, isso é o que realmente importa.
Abraço
Ficaram perfeitas e aposto que simplesmente deliciosas :)
ResponderEliminar_____________________
aculpaedasbolachas.com
Sim muito boas Diogo! Maçãs assadas são deliciosas mesmo sem nada.
EliminarOlá Helena!
ResponderEliminarAdorei o teu texto, um pouco nostálgico mas no qual me revejo em certa parte. Maçãs assadas também eram frequentes lá em casa, quando era miúdo. E adorava-as, com canela e açúcar derretido por cima.
É uma fruta que sempre gostei, e a bravo de esmolfe é das minhas preferidas. Adoro o seu perfume. ;)
Beijinho.
Deve ser uma sobremesa comum a muitas casas portuguesas Célio.
EliminarAqui não há bravo esmolfo, nem Reineta, quando for a Portugal vingo-me.Beijo
Há coisas nesta vida que não se esquecem e mais se estão associados a comida! A fruta neste caso! Olha o teu pai, era um senhor de muito bom gosto, porque pessoalmente acho que a Bravo De Esmolfe, é uma das minhas preferidas! E so de falares nisto, agora quem viaja no tempo sou eu! Que me lembro quando o meu pai, tinhas as ditas maçãs na garagem à espera da altura ideal para se comerem, e o seu perfume deixava delirante! E o melhor era quando pegava na navalha e dividia!! :)
ResponderEliminarPronto agora ja entendo porque gostas das sobremesas com fruta! Mas assim com maçãs até eu gosto!!
beijinhos,
Mena.
:) Mena
EliminarNa casa dos pais havia sempre muita fruta. Quando tirávamos uma peça da fruteira, perguntávamos se podíamos comer com casca. Isto porque à época os pesticidas eram pulverizados na casca, mas o meu pai conseguia biológicos ou orgânicos( não me lembro se existiam estas palavras, diziamos apenas livre de pesticidas). Esses eram os melhores, só lavar e cravar os dentes. Os outros eram descascados.
Acreditas que ainda hoje sigo esse ritual? Hoje fiz salmorejo e com tomate chucha organico, não descasquei e na Thermomix fica bem aveludado.
Beijo
belas maçãs!!! Uma conjugação de sabores perfeita!
ResponderEliminarBeijinhos,
http://sudelicia.blogspot.pt/
:)
EliminarO teu pai... Tal como o meu avô, amavam o campo e os seus frutos. O meu avô morreu nele, num dos seus terrenos, a trabalhar. Hoje vou passar férias nesse lugar, em plena Serra de Montejunto. Também ele ensinou à minha mãe tudo sobre vinhas, pêras, maçãs. É bom termos um pai ou um avô que no deixa a herança do amor pela terra.
ResponderEliminarE maçã assada... Adoro (tal como a minha mãe)
Beijinhos
Cláudia
Mesmo vivendo na cidade essa paixão faz-no sonhar e não sei como apareceu nele e dos 3 fillhos apenas eu gosto do campo. A minha mãe amava a cidade :)
EliminarUm texto enternecedor e comovente para uma bela homenagem... está explicadíssimo!
ResponderEliminarBeijinhos
Obrigada Maria João!
EliminarUm beijo
Ainda hoje são presença assídua em casa dos meus pais e o Ricardo tb é um devorador de maçã assada. lol
ResponderEliminarEstas são as magias da comida, as memórias que ficam lá guardadas, nos cheios e nos ingredientes das nossas estórias. Tão bom!
Nós temos umas maçãzinhas deliciosas na quinta, não sei se conheces, são ali da zona de Palmela, a maçã riscada. Bem ácidas, são maravilhosas.
Bj*
Conheço sim Susana. Por riscadinha, não sei qual a denominação correcta mas hei-de procurar. Se calhar são as duas como bravo-de-esmolfe ou bravo esmolfo.
ResponderEliminarO que vieste lembrar :))
Helena querida, é sempre um prazer passar por aqui! :) Adoro seus textos, suas fotos fantásticas e suas receitas perfeitas! Obrigada pelo blog tão lindo!
ResponderEliminarBeijinho e bom fim de semana* ;)
Olá Miuda!
EliminarGrata pelas suas palavras, em breve farei uma visita ;)
Beijo
Olha as memórias, a comida agarradas a nós e às nossas emoções.
ResponderEliminarAté me arrepiei! :)
Por casa se a minha avó acende o fogão a lenha é certo que há maçãs assadas, ainda hoje comi duas ao almoço!
Um beijinho.
:)) A lenha melhor ainda Ginja! Sortuda! Beijo
EliminarQue bonito o teu texto, quase chorei! Gostava de falar assim abertamente do meu pai, mas ainda não consigo.. talvez daqui a uns anos seja mais fácil e tão bonito como a maneira que falas do teu. O meu tb adorava maças assadas mas carregadinhas de açúcar longe dos olhos atentos da minha mãe :) beijos
ResponderEliminarTudo tem o seu tempo, falarás quando sentires vontade. Que guloso! Se calhar porque não podia....será? O fruto proibido (o açúcar neste caso) é o mais desejado, sempre.
EliminarO meu dizia que não se juntava açúcar à fruta, porque ela já o continha ;) Adorava fruta, carne de caça, peixe fresco e vegetais biológicos, ou seja gostava de comer como nós ;)
Está mais que explicado esse teu gosto. Também gosto muito de sobremesas com fruta e esta, em especial, (maçãs assadas) também me trás algumas recordações :) Ficaram maravilhosas.
ResponderEliminarBeijinhos.