2012-01-27

Muffins de milho e tomilho

O sabor dos muffins escolhidos nesta sexta-feira da Dorie, trouxe-me à memória um bolo de Minas Gerais, embora os muffins não fiquem tão húmidos nem o seu sabor seja tão intenso. 
Uma das sugestões da autora é juntar ervas aromáticas, decidi-me pelo tomilho limão que prolifera no jardim.
Como todos os muffins são melhores mornos ou no dia em que são feitos. Fi-los à noite e no outro dia os grãos de milho estavam duros mas segui o conselho da Dorie: torrar e barrá-los com manteiga.

Ingredientes para 12 unidades
1 chávena de farinha de trigo
1 chávena de semola de milho
6 colheres de sopa de açúcar granulado
2 1/2 colheres de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de sal
pitada de noz moscada ralada fresca
1 chávena de buttermilk
3 colheres de sopa de manteiga sem sal
3 colheres de sopa de óleo de milho
1 ovo grande
1 gema de ovo grande
1 chávena de grãos de milho, fresco, congelado ou enlatado( neste caso drenado)
1 colher de sobremesa de folhas de tomilho picadas

Preparação
Unte formas de muffins ou forre-as com formas de papel. Pré aqueça o forno a 200ºC.
Numa tigela grande misture as farinhas, os fermentos, o sal, a noz moscada e o açúcar.
Noutra mais pequena misture e bata a manteiga,o buttermilk, o óleo, a gema e o ovo. Verta esta mistura para a tigela dos elementos secos e envolva com uma espátula, sem mexer muito, a massa deve ficar irregular. 
Acrescente os grãos de milho e o tomilho picado e distribua a massa pelas formas. Leve ao forno 15 a 20 minutos até alourarem no topo ou até que uma faca espetada no centro saia limpa.

Nota-Podem ser congelados depois de feitos durante 2 meses.Para descongelar aqueça no forno a 180º e aproveite para tostar e barrar com manteiga ;)

2012-01-23

Pão espanhol

Apesar da receita constar de um livro da minha estante, foi através da Moira que descobri este pão. Além da beleza a quantidade de côdea estaladiça também me agrada e muito.
Ingredientes
1 kg de farinha de trigo
20 g de sal (pus 15g)
10 g de fermento( usei1 cubo fresco)
540 g de água
10 g de açúcar
15 g de manteiga
Preparação
Numa batedeira fixa com gancho de amassar junte a água, o sal, o fermento, a manteiga e o açúcar. Bata na velocidade 1 durante 1 minuto.
Adicione a farinha e bata 1 ou 2 minutos na velocidade 1 e depois 10 na velocidade 2. Deve formar uma bola em volta do gancho. Tape e deixe levedar longe de correntes de ar.
Coloque na forma de pão e leve ao forno a 200º até estar cozido.
Para fazer pinhas retire quantidades de massa pequenas e molde tiras/rectângulos compridos e estreitos. Faça cortes transversais no lado comprido da massa e enrole-a em espiral deixando os recortes para cima. 
As pinhas ou pain artichaut como era designado, estiveram na moda em França no séc. XVII e XVIII. De côdea estaladiça as folhas da "alcachofra" eram partidos uma a uma.

2012-01-18

Pesto de pistácio


Sol, chuva, calor e tempestades, foram os presentes do São Pedro esta semana. Toró ( ler tóró) é a palavra indígena usada por aqui e quem já presenciou a intensidade de uma tempestade tropical sabe o seu significado. A quantidade de chuva que cai num curto espaço de tempo impressiona e causa estragos e os trovões esses parecem ribombar dentro de casa. 
Nestes dias enquanto lá fora se formam as cumulo-nimbos, no aconchego do lar faço finalmente as cortinas e forro poltronas. Da cozinha vai saindo o essencial: iogurtes, pão, pratos simples e acompanhamentos como este do livro Skinny dips.

Ingredientes para 1 1/2 chávena (360 ml)
2 dentes de alho
1 chávena de pistácios tostados sem sal
24 folhas grandes de manjericão
1/4 chávena de salsa grosseiramente picada
1/2 chávena(60 g) de parmesão
1/4 chávena de azeite extra virgem
1/4 chávena de água
2 colheres de sopa de sumo fresco de limão
1/2 colher de chá de flor de sal

Preparação
Num robot de cozinha triture primeiro os elementos sólidos numa velocidade alta (triturei na thermomix,10 segundos velocidade 7).
Junte a água, o azeite, o sumo de limão e o sal e triture de novo ( 5 segundos, velocidade 5).
Está pronto a servir.
Guardado no frigorifico pode ser feito com 3 dias de antecedência.Neste caso retire 45 minutos antes de servir.
Congelação-2 meses.
Acompanhamentos- Bruschetta, crostini, baked pita chips, crudités, alcachofras bébés cozidas ao vapor e camarão cozido. Acompanhei com palitos de massa integral para pizza envoltos em sementes de sésamo pretas.
Uma colher de sopa cheia- 60 calorias.

2012-01-13

Bolo de chocolate e armagnac

O bolo que fez com que Dorie Greenspan fosse despedida. O motivo: insubordinação criativa!
Fi-lo para o desafio lançado pela MarianaDorie às sextas. Troquei o Armagnac por Cachaça e alterei a cobertura.

Ingredientes
2/3 chávena de nozes pecãs finamente picadas
1/4 chávena de farinha de trigo
1/4 colher de chá de sal
12 ameixas secas sem caroço cortadas em pedaços
1/4 chávena de água+ 3 colheres de sopa
1/4 chávena de Armagnac ou conhaque, brandy, whisky (usei aguardente de cana)
200 g de chocolate amargo picado (usei 70% cacau)
110 g de manteiga sem sal
3 ovos grandes separados
2/3 chávena de açúcar( coloquei menos uma colher de sopa)

Cobertura( fiz apenas com chocolate 70% e leite)
85 g de chocolate amargo grosseiramente picado
3 colheres de sopa de icing sugar
3 colheres de sopa de manteiga sem sal


Preparação
Previamente coloque as ameixas e água numa caçarola em lume médio e cozinhe até a água quase evaporar, sem deixar queimar a fruta.
Retire a panela do fogo e despeje o armagnac, quando as chamas morrerem transfira as ameixas e algum liquido que reste para uma tigela e deixe esfriar, depois guarde num frasco tapado até usar.

Pré aqueça o forno a 190ºC.
Unte uma forma de aro de 8 polegadas(20 cm). Forre o fundo com papel vegetal volte a untar e polvilhe toda com farinha.
Misture as nozes moídas com a farinha e o sal.Reserve.
Junte o chocolate, manteiga e as 3 colheres de sopa de água numa tigela em banho maria até derreter a mistura.
Numa tigela grande bata as gemas com o açúcar até obter uma mistura esbranquiçada. Por esta ordem e passo a passo a passo, junte a mistura de chocolate e manteiga, a de farinhas e por fim as ameixas sem líquido.
Numa batedeira fixa bata as claras em castelo firme.Misture um pouco de claras na massa envolvendo com uma espatula delicadamente, junte o resto e envolva.
Deite a massa na forma  e leve a assar no tabuleiro central durante 28 a 32 minutos, ou até espetar uma faca no centro e sair húmida( assou 32 minutos e ficou mole no centro).
Transfira o bolo para uma rede e deixe arrefecer 10 minutos antes de remover o aro. Inverta o bolo sobre a rede e retire o papel. O bolo deve arrefecer completamente antes de colocar a cobertura.

2012-01-07

Bolo de cenoura

E uma promessa..... sem sultanas e com ganache de chocolate para o André :)
Carrot cake do Home Bake de Eric Lanlard.


Ingredientes para o bolo
225 g de farinha com fermento
250 ml de óleo de girasol ou de milho (usei 200 g de canola)
225 g de açúcar amarelo (pus 180g)
3 Ovos grandes
1 colher de chá de canela moída
1 colher de chá de noz moscada moída fresca
250 g de cenouras descascadas
100 g de sultanas douradas (não coloquei)
100 g de nozes picadas

Ingredientes para a cobertura (usei 100 g de chocolate 50%cacau e 50g de manteiga)
300 g de queijo creme meio gordo
150 g de manteiga sem sal 
25 g de icing sugar amarelo

Preparação
Aqueça o forno a 180ºC. 
Unte uma forma de pão rectangular com 25cmx11cm e polvilhe com farinha.
Verta o óleo para uma tigela grande e misture com o açúcar. Adicione os ovos e bata a mistura.
Coloque uma peneira sobre a tigela e despeje a farinha e as especiarias moídas (ralei na hora)
Misture a farinha até obter uma massa homogénea.
Corte as extremidades das cenouras e rale-as para dentro da tigela. Envolva a cenoura, as nozes e sultanas na mistura e verta a massa para a forma. Leve ao forno por cerca de 1 1/2 hora (no meu demorou 1 hora e 15 minutos), ou até a lamina de uma faca espetada no centro sair limpa.
Deixe arrefecer na forma 5 minutos e desenforme sobre uma rede.
Entretanto prepare a cobertura: bata o queijo com a manteiga numa tigela com a ajuda de uma colher de madeira. Adicione o icing sugar e a raspa fina  da laranja (só a parte laranja da casca) e misture tudo.
Quando o bolo estiver frio coloque a cobertura com uma espátula.
Não guarde o bolo no frio pois ficará duro.

2012-01-05

Smoothie tropical

Despertei com sol e calor neste primeiro dia do ano no meu novo país. 
A bebida energética não foi planeada, encontrei polpa no congelador e à falta de outros ingredientes para o pequeno almoço resolvi usá-la. Juntei açúcar para atenuar  o sabor do maracujá amargo.

Ingredientes para 2
100 g de polpa de maracujá
100 g de polpa de acerola
100 g de polpa de cajú
400 g de água
Açúcar mascavado a gosto.


Preparação/Thermomix
Coloque todos os ingredientes no copo da máquina e triture na velocidade 7 durante 20 segundos. Distribua pelos copos.

2011-12-31

50!

Hoje é dia de festa para todos, mas ontem também o foi para mim.
Nem a cozinha pobre de utensílios aqui em Portugal me demoveu de comemorar os meus 50 anos com amigos, marido, filhos e Rita.
Aqui fica a ementa feita a 16 mãos:

Salgados
Rolinhos de filo com  alheira e grelos (receita  de H. Sá Pessoa by Guigas) 
Tostas com foie gras  e doce (Tangerina Aderente)
Vol au vent com mousse de salmão e salmão fumado (Tertúlia de Sabores)
Cogumelos recheados com alho e presunto (Tertúlia de Sabores)
Guacamole (Tangerina aderente)
Patê de atum (Guigas)
Pão com roquefort (Tangerina Aderente)
Patê de azeitonas 
Creme de brócolos com pêra e gengibre (No Soup for you)
Couve coração e laranja (No Soup for you)
Salada de rúcula, rabanetes, couve roxa, cenoura com vinagrete de framboesa (Gourmets Amadores)
Couscous de festa com frutos secos e bagos de romã (Gourmets amadores)
Hummus (Three Fat Ladies)
Pacotinhos de massa filo com queijo da serra, nozes e mel (Sabores de Canela)

Doces e fruta
Cheesecake com lemon curd da Martha (Tangerina Aderente)
Rolinhos do deserto
Clafoutis de cerejas
Tarte de chocolate e natas (Sabores de Canela)
Clementinas bilógicas ;)

Bebidas
Chá de hibisco com frutos vermelhos (Tertúlia de Sabores)
Limonada biológica (Sabores de Canela com limões da Guigas)
Tintos maduros (todos)
Baileys caseiro (No soup for you)


Adorei o dia! Os meus convidados deste ano todos com o elo comum da comida, trouxeram a boa disposição habitual marcando-o como um dia especial. À medida que a partida para o Brasil se aproxima fico já a pensar em encontros futuros :)
Para fechar a publicação e o ano brindo com todos os leitores do Sabores de Canela a um novo e óptimo ano!! 


Nota-Indiquei os blogues das autoras das receitas, quando estas não constam neles. 

2011-12-26

Natal 2011


Há muitos anos que passamos o Natal no Porto em casa dos meus sogros e este não foi excepção. 
Na noite de Natal antecedendo a abertura dos presentes é servido o bacalhau cozido com couve e demais acompanhamentos.
No dia 25 marca presença o cabrito assado no forno com batatas e castanhas e perú com dois recheios , sendo o do papo com farofa o mais requisitado.  
Os doces são os habituais: rabanadas, sonhos, jerimuns, pão de ló, bolo rainha, suspiros, arroz doce, bolos e tartes variadas.
Tudo isto é preparado  pela Jú (a minha sogra) com dias de antecedência, o perú por exemplo é injectado com bebida alcoolica e a sua pele  levantada para abrigar mais temperos. 
Eu limito-me a decorar as mesas e sinto-me uma criança numa loja de brinquedos com tudo o que tenho ao meu dispor:)
Nunca publiquei sobre esta quadra, só este ano me decidi ao tomar consciência de que cada vez é mais dificil reunir toda a família. 
Foi um Natal Feliz, espero que o vosso também.




2011-12-21

Cookies de alfarroba e amêndoa

"Estas são as receitas que faço com mais carinho. São as favoritas daqueles de quem mais gosto, que sei que irão retribuir com muitos sorrisos e pratos vazios. São os meus tesouros."
São palavras da Susana que abrem o capítulo do livro onde moram estes cookies.

A oportunidade não surgia, mas a sensação deixada nas papilas gravou-os na minha memória.
Reproduzo-os agora mais de um ano passado numa cozinha sem balança, batedeira ou Bimby e a sua autora já com obra publicada.
Nos ingredientes  além do carinho constam produtos nacionais como a amêndoa e a alfarroba e são óptimos para oferecer aos amigos ou partilhar em família.


Desejo um Feliz Natal a todos os leitores do Sabores de Canela.

Ingredientes
120 g de amêndoa inteira sem pele
200 g de farinha para bolos
50 g de farinha de alfarroba
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de sal
160 g de manteiga sem sal 
160 g de açúcar amarelo
1 colher de chá de essência de baunilha
30 g de flocos de aveia(4 colheres de sopa)

Pré aqueça o forno a 180ºC e forre dois tabuleiros com papel vegetal.

Thermomix
Com o copo seco pique grosseiramente a amêndoa com 2 toques de turbo. Reserve.
Coloque as farinhas e o bicarbonato no copo e peneire na velocidade 5, 3 segundos.Reserve.
Bata a manteiga com o açúcar e a essência de baunilha 2 minutos na velocidade 3. Acrescente a mistura de farinhas e misture 30 segundos, velocidade 6. Envolva a aveia e amêndoa reservada com a espátula.
Com uma colher de gelado molde bolas com a massa e coloque-as espaçadas nos tabuleiros(coloquei a massa no frigorífico 30 minutos e moldei com as mãos).Achate cada bola até obter um disco e leve ao forno a cozer até que o centro esteja consistente, cerca de 8 minutos.A massa estará mole ao sair do forno, deixe arrefecer um pouco e retire-as para uma grelha até ficarem firmes.

Tradicional
Peneire as farinhas e o bicarbonato para uma tigela e reserve. Numa batedeira misture a manteiga com o açúcar e a essência de baunilha até obter um creme homogéneo. Acrescente a mistura de farinhas e misture. Envolva a amêndoa desfeita grosseiramente e a aveia com uma colher de pau.Com uma colher de gelado molde bolas com a massa e coloque-as espaçadas nos tabuleiros (coloquei a massa no frigorífico 30 minutos e moldei com as mãos).Achate cada bola até obter um disco e leve ao forno a cozer até que o centro esteja consistente, cerca de 8 minutos. A massa estará mole ao sair do forno, deixe arrefecer um pouco e retire-as para uma grelha até ficarem firmes.

2011-12-16

Outono em Lisboa

Este ano ao mudar de hemisfério e de vida no inicio de Julho, usufruí de duas Primaveras e dois Invernos mas vi-me privada do Verão e do Outono que tanto gosto. 
Agora em Portugal aproveito os últimos dias da estação, observando a vida do jardim sempre em boa companhia da Docas e da Giga.
Vou contando os dias para a família se reunir e entre os encontros com amigos, os assados e muffins mantêm a temperatura amena na cozinha.
Em 2011 a família ganhou um novo elemento, à mesa seremos 15 :)

2011-12-13

Bolo de abacaxi


De volta a Portugal e novamente desencontrada da minha cozinha, publico  uma das últimas receitas que fiz no Brasil.
Este bolo deveria ter um aspecto "vidrado", mas por defeito, escolhi o tipo de forma que mais utilizo, de aro, sem pensar no caramelo que se iria formar e acabar no tabuleiro do forno... 
Há males que vêm por bem e assim ficou na medida certa de açúcar. 
Apaixonada por abacaxi gostei muito do resultado, quando o repetir será com menos açúcar na massa e numa forma adequada. 
Usei abacaxi pérola muito comum por aqui, é branco por dentro e verde escuro por fora mesmo quando maduro.
A receita do Upside-down cake consta do clássico "How to cook everything vegetarian".

Ingredientes
8 colheres de sopa de manteiga sem sal derretida
1 / 2 chávena de açúcar mascavado escuro
6 fatias de abacaxi com 1 cm de espessura
1 chávena de buttermilk
2 ovos
1/2 chávena de açúcar
1 chávena de farinha de trigo
1/2 chávena de farinha de milho
1 colher de chá de bicarbonato de sódio ( não usei porque não tinha)
1/4 colher de chá de sal

Preparação
Aqueça o forno a 180º C.
Unte uma fôrma redonda de 9 polegadas (22 cm) com metade da manteiga e polvilhe o açúcar mascavado uniformemente sobre o fundo, distribua então o abacaxi cortado em pedaços numa camada única. 
Bata a manteiga restante, o açúcar, o buttermilk e os ovos até obter uma mistura homogénea. Numa taça separada misture o bicarbonato de sódio as farinhas e o sal. Aos poucos, adicione a mistura de ovos à farinha até ficar bem incorporado.
Espalhe a massa sobre a fruta, usando uma espátula para ter certeza do preenchimento de todos os vazios.
Leve ao forno assando até o topo do bolo esteja dourado ou até que um palito inserido no centro saia limpo, 50 a 60 minutos.
Deixe o bolo esfriar na forma por cinco minutos.Passe uma faca ao redor da borda da forma.Coloque o prato de servir virado para baixo por cima da forma e vire a forma sobre o prato. 
Sirva quente com sorvete.

2011-12-08

Chocolate (e) picante


Dois verões tinham passado.
Sentou-se na areia em frente ao ponto que perscrutava no mar disposto a esperar. Aos poucos aproximava-se da costa nadando na sua direcção. Era ela, confirmou. 
Saíu enrolada numa onda de água, espuma e areia, levantou-se sorridente e caminhou para ele:
-Como sabias que era eu?
-Só conheço uma pessoa que enfrenta este mar sozinha.Vês alguém na água?

A pulsação acelerava quando o via ao longe, ao passar mirava-o de soslaio com receio de olhares cruzados. Era moreno de olho verde, sem dúvida o rapaz mais "giro" daquele Verão.
Ele parecia nem dar por ela e quando finalmente se conheceram uma noite no café da praia, só tinha olhos e conversa para a amiga mais velha que vivia na América. Conversas de gente vivida, como se isso fosse possível com 18 anos. 
Naquele tempo sem internet ou telemóvel, o café passou a ser naturalmente o ponto de encontro após o jantar e invariavelmente acabavam a noite em casa da amiga. Mas a frivolidade da conversa entediava-a, houve alturas em que tentou mudar-lhe o rumo em vão, sentia-se transparente!
Na quarta noite decidiu não ir, em vez disso foi andar nos altos baloiços da praia, costumava fazê-lo em noites de luar. Começava devagar ganhava balanço com as pernas e ninguém a parava naquela alegria vertiginosa. Com a cabeça caída para trás, olhava o céu riscado pela fuga das estrelas, quando foi interrompida: 
-Pára! 
Era ele ali à sua frente. O atrito dos ténis na areia foi travando o baloiço, as mãos dele agarraram as correntes e trémula ouviu-o confessar não conseguir esconder por mais tempo como gostava de tudo nela, o sorriso, o olhar e a pele morena.
Não lhe deu tempo nem discernimento para responder, puxou-a a si enlaçou-a e beijou-a, ela de cabeça à roda, com o chão a fugir-lhe debaixo dos pés pensou que ia desfalecer. 
Foi o seu primeiro beijo e nos dias que se seguiram andou na estratosfera: piorou da surdez natural aos 16 anos, a mãe chamava-a ela não ouvia, olhava sem ver o movimento de bocas sem sons. A realidade era tão boa que sonhava acordada e inexplicavelmente nunca mais conseguiu ler livros aos quadradinhos. 
Nos encontros na praia quase deserta dos pescadores, protegidos pelas dunas trocavam beijos e abraços e olhavam-se em silêncio congelando o tempo. Na realidade passavam horas até ela se esgueirar e correr em direcção àquela imensidão azul. Desafiava-o entrando nas vagas e a vontade de estar com ela levava-o a enfrentar aquele mar bravo também.
No dia em que o chão lhe voltou a fugir debaixo dos pés, tinha ido com a mãe às compras na vila. Em frente da confeitaria viu-o através da montra e de olhar já turvo ainda vislumbrou a "amiga". Segurava na mão um embrulho e sorria.
Envolta num turbilhão de sentimentos entrou em casa num pranto eminente adiado pelo pedido da mãe para preparar os legumes, tinha de sair depois do jantar.
Pegou numa cebola, cortou-a em rodelas tão finas quanto pode, sempre a chorar repetiu a operação até acabar com todas. Atirou-se às cenouras e aos alhos que transformou em picadinho, enquanto dissertava sobre a falsidade do ser humano e tudo o que de negativo possui essa raça, cortou-se no dedo indicador. Enxugou as lágrimas no pano de cozinha e o sangue e fixou aquela natureza morta, assassinada e esquartejada na bancada, 5 cebolas, 4 cenouras e 2 alhos franceses, ocorreu-lhe uma cena dramática do filme do ano, ao som da Cavalgada das Valquírias. Foi então, enquanto cortava os pimentos em tiras, que se apoderou dela um sentimento crescente de vingança pela dupla traição e os cortes com a faca tornaram-se mais precisos e lentos. A mãe mexia nos frascos das especiarias, o seu olhar recaiu sobre o piripiri, mas logo abandonou a ideia pois outro atraiu a sua atenção. Agora sim aquele ingrediente perfeito daria consistência ao seu plano.
Depois do jantar caminhou nervosa mas decidida ao encontro dos dois, nem deu pelo desacato entre a mulher dum pescador e uma turista francesa, tal era a sua concentração.
Nessa noite preparou ela o cacau em casa da amiga a quem entregou uma caneca e só depois a ele sem o fitar, dirigiu-se à porta de entrada, abriu-a e fugiu dali para fora só parando em casa.
De manhã custou-lhe muito acordar e nesse dia nem saíu de casa, a realidade já não lhe interessava preferia sonhar a dormir, mas no seguinte a mãe impaciente ordenou: 
-Levanta-te!
-Vou ao super comprar pimenta que desapareceu. A tua amiga veio cá outra vez e quer falar contigo, deixou um presente. Não demoro mas espreita a cor do assado no forno. Quando voltar quero ver-te de pé! 
Quando se viu só tentou conciliar as ideias, a mãe deixava-a muitas vezes confusa, sabia que só as mães conseguem pensar em tanta coisa diferente e dar tanta ordem em simultâneo.
Tirou o frasco da pimenta preta do bolso dos calções e apressou-se a colocá-lo junto às outras especiarias na cozinha, dirigiu-se à sala e curiosa pegou no embrulho.Desfez o laço bonito e rasgou o papel. Uma caixa de bombons, um cartão com um coração enorme e duas iniciais M e C. E se o arrependimento matasse ela tinha-se finado ali. 

Agora 2 anos depois, ali estava ele de novo. 
Voltaram ao passado com o tema inevitável Chocolate e Pimenta, a sua inicial era um C de Chocolate a dela deveria ser P de pimenta ou picante e não M, ou seria o M de Malagueta?
Entre risadas ela confessou só ter provado os bombons, depois de alguém ter comido o primeiro. Falaram da amiga que não voltara, provavelmente casara com um americano. Houve um momento sério em que ele lhe perguntou porque tinha desaparecido da sua vida, um mês após o episódio picante.
"O essencial é invisivel à vista", foi a frase de um livro preferido que lhe veio à cabeça, hesitou e sem querer magoá-lo respondeu com um encolher de ombros, beijou-lhe a face, sorriu , correu em direcção ao mar e nadou até se tornar num ponto.

Quis o acaso que se cruzassem 2 anos mais tarde em Lisboa, ele divorciado tinha duas gémeas, ela universitária e ainda em busca da essência.
Ele não chegou a saber que ela encontrou o que procurava, teve 2 gémeos e não voltou a enfrentar marés vivas.
Chocolat chaud épicé de Vianne, do livro le petit Larousse de Recettes de Famille de Joanne Harris et Fran Warde. 


Ingredientes para 2
40 cl de leite gordo
1/2 vagem de baunilha cortada longitudinalmente
1/2 pau de canela
1 malagueta cortada em duas e sem sementes
100 g de chocolate negro(70% cacau)
açúcar mascavado a gosto
chantilly, raspas de chocolate e cognac ou amaretto

Tradicional
Aqueça o leite com a baunilha, a canela e a malagueta, deixe ferver um minuto. Incorpore o chocolate em pedaços ou ralado até fundir, adicione o açúcar.Retire do lume e deixe em infusão 10 minutos, depois remova as especiarias. Leve ao lume até ferver e sirva numa chávena guarnecido com chantilly, pedaços de chocolate ou com um traço de cognac ou amaretto.

Thermomix
Coloque no copo o leite, a baunilha, a canela e a malagueta e marque 6 minutos, 90ºC, velocidade colher inversa. Junte o chocolate ralado ou em pedaços e selecione 3 minuto à mesma velocidade e temperatura.Remova as especiarias e sirva numa chávena guarnecido com chantilly, pedaços de chocolate ou com um traço de cognac ou amaretto.

Esta publicação foi uma das vencedoras do passatempo Chocolate e Picante da Casa das Letras, divulgado no Gourmets amadores, pela amiga Suzana. 
Fica a advertência: o picante deve ser usado com moderação;)

2011-12-02

Ceagesp


Visitei o CEAGESP da cidade de São Paulo num dia de varejão, a convite da Adriana que tive o prazer de conhecer quando cheguei ao Brasil.
Este entreposto comercial constituído por 13 unidades em todo o estado de São Paulo, cada uma similar ao MARL de Lisboa, abastece os mercados do mesmo estado.
A unidade de São Paulo situa-se na Vila Leopoldina e lá podemos econtrar peixe, carne, frutas, legumes, flores e plantas a preços em conta, com a confiança e orientação das cotações diárias do atacado, que podem ser consultadas no site
Apesar de praticar um comércio de atacado ou grossista, também organiza varejões, ou seja a venda ao público em quantidades menores.
Existem bancas de produtos orgânicos e a maior feira de flores do país tem lugar aqui, onde mais de mil produtores expõem numa área de 2 hectares. Adorei este sector onde tenciono voltar para comprar alguns arbustos e trepadeiras. 
Outra descoberta que me deixou radiante foi a existência de enchidos portugueses uma raridade por aqui, há de carne, morcelas e farinheiras.Fica a dica para algum português desesperado como eu :)
Ah! e o estacionamento é gratuito, facto não muito comum nesta cidade.


Horário do Varejão
Sábados: 6h às 12h30 
Domingos: 7h às 13h –entrada pelo portão 3
Quartas-feiras: 14h às 22h –entrada pelo portão 7

2011-11-28

Frango com abóbora e cenoura


A(o) partir do Brasil partilho esta refeição  com a Maria, voluntária das Nações Unidas que está em Timor Leste e com a amiga Moira autora do  Tertúlia, que vive na minha cidade natal em Portugal.
O Tertúlia está em festa, cresceu e já faz 4 anos. A Maria precisa de combinações para os ingredientes disponíveis na sua cozinha de campanha. Sem nada inovar, lembrei-me deste prato bastante versátil, que faço muitas vezes  a pedido do André.
Normalmente aproveito o caldo abundante para cozer arroz ou esparguete sem retirar o frango, no entanto fica bem na companhia de batatas, couscous, esparguete ou arroz branco.


Ingredientes para 4 a 6
1 frango partido
2 cenouras 
1 cebola
2 dentes de alho
4 cubos de abóbora com 5 cm de lado (3 dedos)
2 tomates maduros grandes
azeite 
sal
pimenta moída
oregãos


Preparação
Leve um tacho grande ao lume e faça um refogado com todos os legumes, excepto o tomate cortados grosseiramente. Quando estiverem macios, junte o tomate em pedaços, tape e deixe cozer por mais 5 minutos. Junte o frango em pedaços, os temperos, tape e deixe cozer 20 a 30 minutos até a carne ficar pronta.
Se optar por acrescentar arroz, verifique se o caldo é suficiente, rectifique os temperos e coza por 10 minutos.

2011-11-24

Espirais de azeitonas

Há algum tempo folheando uma revista de culinária durante uma solitária viagem transatlântica, enveredei numa espiral, nessa fase ainda só, de  pensamentos sobre  o que nos leva a decidir por em prática uma receita específica.
Concluí no meu caso ser uma regra de três simples factores: ingredientes naturais de preferência da estação promissores de combinaçoes saborosas, o equilíbrio da receita e o aspecto que visualizo mesmo sem imagem.
É certo que também as procuro a partir dum ingrediente em stock ou que trouxe fresco, através do Eat your books,  mas quase sempre escolho primeiro a receita e aprovisiono os elementos em falta.
Se não for saudável desisto, estudo a viabilidade de substituir o ingrediente, ou  guardo-a para uma ocasião especial se achar que vale mesmo a pena (como o Creme Brulée).
Confesso que a imagem tem muito peso nesta conjuntura, assim se o aspecto final não me agrada, imagino melhorias através de uma perspectiva diferente, um empratamento melhorado ou na composição da foto.
É sobretudo nos livros que procuro receitas, mas também em revistas e no que provo na rua. Porém encontrar algo delicioso fora de casa não é garantia de reprodução, isso só decido quando detalho a composição. Não faço dietas, não conto calorias e como pratos muito calóricos em casa de amigos e família, mas tenho por princípio não os replicar.
Subjacente a estas acções e escolhas está a minha educação alimentar e a pessoa que mais influência teve nela, o meu saudoso pai. Ainda hoje não consigo comer combinações de batatas, arroz, pão na mesma refeição (escolho um e substituo outro por vegetais ou salada), nem açúcar com fruta, porque esta já o contêm, procuro o que é biológico e tento diversificar ao máximo a alimentação. Faço-o instintivamente e tudo me parece lógico.
Isto foi determinante na minha responsabilidade como mãe, pois logo que comecei a cozinhar e me interessei pelo assunto percebi como é fácil produzir comida gostosa, mas o meu desafio foi sempre saudável e gostosa.
Na minha cozinha há produtos que nunca entraram, mas pão, alho, azeite, manjericão, são gostos antigos que nunca faltam. Foi este o motivo que me deteve nos Olive bread swirls, na página 35 da revista Baking.
Contem-me, como escolhem as vossas receitas?

Ingredientes
500 g de farinha
300 ml de água morna
1 colher de chá de sal
1 cubo de fermento fresco
6 colheres de sopa de azeite virgem extra
1 mão cheia de manjericão
175 g de azeitonas descaroçadas pretas
1 dente de alho
4 anchovas de lata(opcional)
50 g de azeitonas descaroçadas verdes

Preparação
Na taça da batedeira junte o fermento, a água tépida, o sal, uma colher de sopa de azeite e a farinha e amasse durante 10 minutos. Tape e deixe levedar uma hora ou até dobrar o volume.
Entretanto prepare o recheio: triture as folhas de manjericão, o azeite, as azeitonas pretas, o alho e as anchovas(não usei).
Polvilhe com farinha a superfície de trabalho e estenda a massa num rectangulo de 30 por 40 cm. Espalhe o recheio sobre toda a superfície da massa e faça uma linha no perímetro de um dos lados menores com azeitonas verdes dispostas longitudinalmente.
Comece a enrolar nessa linha e corte o rolo em 12 partes iguais.Coloque uma azeitona verde no centro de cada espiral.
Retire um tabuleiro do forno e ligue na temperatura 200ºC.
Ccoloque as espirais no tabuleiro, cubra com um pano limpo e ao fim de 20 minutos leve ao forno, mas antes pincele com leite e polvilhe com sal grosso.Coza durante 20 minutos ou até ficarem douradas. Arrefeça numa grade metálica.