2011-12-31

50!

Hoje é dia de festa para todos, mas ontem também o foi para mim.
Nem a cozinha pobre de utensílios aqui em Portugal me demoveu de comemorar os meus 50 anos com amigos, marido, filhos e Rita.
Aqui fica a ementa feita a 16 mãos:

Salgados
Rolinhos de filo com  alheira e grelos (receita  de H. Sá Pessoa by Guigas) 
Tostas com foie gras  e doce (Tangerina Aderente)
Vol au vent com mousse de salmão e salmão fumado (Tertúlia de Sabores)
Cogumelos recheados com alho e presunto (Tertúlia de Sabores)
Guacamole (Tangerina aderente)
Patê de atum (Guigas)
Pão com roquefort (Tangerina Aderente)
Patê de azeitonas 
Creme de brócolos com pêra e gengibre (No Soup for you)
Couve coração e laranja (No Soup for you)
Salada de rúcula, rabanetes, couve roxa, cenoura com vinagrete de framboesa (Gourmets Amadores)
Couscous de festa com frutos secos e bagos de romã (Gourmets amadores)
Hummus (Three Fat Ladies)
Pacotinhos de massa filo com queijo da serra, nozes e mel (Sabores de Canela)

Doces e fruta
Cheesecake com lemon curd da Martha (Tangerina Aderente)
Rolinhos do deserto
Clafoutis de cerejas
Tarte de chocolate e natas (Sabores de Canela)
Clementinas bilógicas ;)

Bebidas
Chá de hibisco com frutos vermelhos (Tertúlia de Sabores)
Limonada biológica (Sabores de Canela com limões da Guigas)
Tintos maduros (todos)
Baileys caseiro (No soup for you)


Adorei o dia! Os meus convidados deste ano todos com o elo comum da comida, trouxeram a boa disposição habitual marcando-o como um dia especial. À medida que a partida para o Brasil se aproxima fico já a pensar em encontros futuros :)
Para fechar a publicação e o ano brindo com todos os leitores do Sabores de Canela a um novo e óptimo ano!! 


Nota-Indiquei os blogues das autoras das receitas, quando estas não constam neles. 

2011-12-26

Natal 2011


Há muitos anos que passamos o Natal no Porto em casa dos meus sogros e este não foi excepção. 
Na noite de Natal antecedendo a abertura dos presentes é servido o bacalhau cozido com couve e demais acompanhamentos.
No dia 25 marca presença o cabrito assado no forno com batatas e castanhas e perú com dois recheios , sendo o do papo com farofa o mais requisitado.  
Os doces são os habituais: rabanadas, sonhos, jerimuns, pão de ló, bolo rainha, suspiros, arroz doce, bolos e tartes variadas.
Tudo isto é preparado  pela Jú (a minha sogra) com dias de antecedência, o perú por exemplo é injectado com bebida alcoolica e a sua pele  levantada para abrigar mais temperos. 
Eu limito-me a decorar as mesas e sinto-me uma criança numa loja de brinquedos com tudo o que tenho ao meu dispor:)
Nunca publiquei sobre esta quadra, só este ano me decidi ao tomar consciência de que cada vez é mais dificil reunir toda a família. 
Foi um Natal Feliz, espero que o vosso também.




2011-12-21

Cookies de alfarroba e amêndoa

"Estas são as receitas que faço com mais carinho. São as favoritas daqueles de quem mais gosto, que sei que irão retribuir com muitos sorrisos e pratos vazios. São os meus tesouros."
São palavras da Susana que abrem o capítulo do livro onde moram estes cookies.

A oportunidade não surgia, mas a sensação deixada nas papilas gravou-os na minha memória.
Reproduzo-os agora mais de um ano passado numa cozinha sem balança, batedeira ou Bimby e a sua autora já com obra publicada.
Nos ingredientes  além do carinho constam produtos nacionais como a amêndoa e a alfarroba e são óptimos para oferecer aos amigos ou partilhar em família.


Desejo um Feliz Natal a todos os leitores do Sabores de Canela.

Ingredientes
120 g de amêndoa inteira sem pele
200 g de farinha para bolos
50 g de farinha de alfarroba
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de sal
160 g de manteiga sem sal 
160 g de açúcar amarelo
1 colher de chá de essência de baunilha
30 g de flocos de aveia(4 colheres de sopa)

Pré aqueça o forno a 180ºC e forre dois tabuleiros com papel vegetal.

Thermomix
Com o copo seco pique grosseiramente a amêndoa com 2 toques de turbo. Reserve.
Coloque as farinhas e o bicarbonato no copo e peneire na velocidade 5, 3 segundos.Reserve.
Bata a manteiga com o açúcar e a essência de baunilha 2 minutos na velocidade 3. Acrescente a mistura de farinhas e misture 30 segundos, velocidade 6. Envolva a aveia e amêndoa reservada com a espátula.
Com uma colher de gelado molde bolas com a massa e coloque-as espaçadas nos tabuleiros(coloquei a massa no frigorífico 30 minutos e moldei com as mãos).Achate cada bola até obter um disco e leve ao forno a cozer até que o centro esteja consistente, cerca de 8 minutos.A massa estará mole ao sair do forno, deixe arrefecer um pouco e retire-as para uma grelha até ficarem firmes.

Tradicional
Peneire as farinhas e o bicarbonato para uma tigela e reserve. Numa batedeira misture a manteiga com o açúcar e a essência de baunilha até obter um creme homogéneo. Acrescente a mistura de farinhas e misture. Envolva a amêndoa desfeita grosseiramente e a aveia com uma colher de pau.Com uma colher de gelado molde bolas com a massa e coloque-as espaçadas nos tabuleiros (coloquei a massa no frigorífico 30 minutos e moldei com as mãos).Achate cada bola até obter um disco e leve ao forno a cozer até que o centro esteja consistente, cerca de 8 minutos. A massa estará mole ao sair do forno, deixe arrefecer um pouco e retire-as para uma grelha até ficarem firmes.

2011-12-16

Outono em Lisboa

Este ano ao mudar de hemisfério e de vida no inicio de Julho, usufruí de duas Primaveras e dois Invernos mas vi-me privada do Verão e do Outono que tanto gosto. 
Agora em Portugal aproveito os últimos dias da estação, observando a vida do jardim sempre em boa companhia da Docas e da Giga.
Vou contando os dias para a família se reunir e entre os encontros com amigos, os assados e muffins mantêm a temperatura amena na cozinha.
Em 2011 a família ganhou um novo elemento, à mesa seremos 15 :)

2011-12-13

Bolo de abacaxi


De volta a Portugal e novamente desencontrada da minha cozinha, publico  uma das últimas receitas que fiz no Brasil.
Este bolo deveria ter um aspecto "vidrado", mas por defeito, escolhi o tipo de forma que mais utilizo, de aro, sem pensar no caramelo que se iria formar e acabar no tabuleiro do forno... 
Há males que vêm por bem e assim ficou na medida certa de açúcar. 
Apaixonada por abacaxi gostei muito do resultado, quando o repetir será com menos açúcar na massa e numa forma adequada. 
Usei abacaxi pérola muito comum por aqui, é branco por dentro e verde escuro por fora mesmo quando maduro.
A receita do Upside-down cake consta do clássico "How to cook everything vegetarian".

Ingredientes
8 colheres de sopa de manteiga sem sal derretida
1 / 2 chávena de açúcar mascavado escuro
6 fatias de abacaxi com 1 cm de espessura
1 chávena de buttermilk
2 ovos
1/2 chávena de açúcar
1 chávena de farinha de trigo
1/2 chávena de farinha de milho
1 colher de chá de bicarbonato de sódio ( não usei porque não tinha)
1/4 colher de chá de sal

Preparação
Aqueça o forno a 180º C.
Unte uma fôrma redonda de 9 polegadas (22 cm) com metade da manteiga e polvilhe o açúcar mascavado uniformemente sobre o fundo, distribua então o abacaxi cortado em pedaços numa camada única. 
Bata a manteiga restante, o açúcar, o buttermilk e os ovos até obter uma mistura homogénea. Numa taça separada misture o bicarbonato de sódio as farinhas e o sal. Aos poucos, adicione a mistura de ovos à farinha até ficar bem incorporado.
Espalhe a massa sobre a fruta, usando uma espátula para ter certeza do preenchimento de todos os vazios.
Leve ao forno assando até o topo do bolo esteja dourado ou até que um palito inserido no centro saia limpo, 50 a 60 minutos.
Deixe o bolo esfriar na forma por cinco minutos.Passe uma faca ao redor da borda da forma.Coloque o prato de servir virado para baixo por cima da forma e vire a forma sobre o prato. 
Sirva quente com sorvete.

2011-12-08

Chocolate (e) picante


Dois verões tinham passado.
Sentou-se na areia em frente ao ponto que perscrutava no mar disposto a esperar. Aos poucos aproximava-se da costa nadando na sua direcção. Era ela, confirmou. 
Saíu enrolada numa onda de água, espuma e areia, levantou-se sorridente e caminhou para ele:
-Como sabias que era eu?
-Só conheço uma pessoa que enfrenta este mar sozinha.Vês alguém na água?

A pulsação acelerava quando o via ao longe, ao passar mirava-o de soslaio com receio de olhares cruzados. Era moreno de olho verde, sem dúvida o rapaz mais "giro" daquele Verão.
Ele parecia nem dar por ela e quando finalmente se conheceram uma noite no café da praia, só tinha olhos e conversa para a amiga mais velha que vivia na América. Conversas de gente vivida, como se isso fosse possível com 18 anos. 
Naquele tempo sem internet ou telemóvel, o café passou a ser naturalmente o ponto de encontro após o jantar e invariavelmente acabavam a noite em casa da amiga. Mas a frivolidade da conversa entediava-a, houve alturas em que tentou mudar-lhe o rumo em vão, sentia-se transparente!
Na quarta noite decidiu não ir, em vez disso foi andar nos altos baloiços da praia, costumava fazê-lo em noites de luar. Começava devagar ganhava balanço com as pernas e ninguém a parava naquela alegria vertiginosa. Com a cabeça caída para trás, olhava o céu riscado pela fuga das estrelas, quando foi interrompida: 
-Pára! 
Era ele ali à sua frente. O atrito dos ténis na areia foi travando o baloiço, as mãos dele agarraram as correntes e trémula ouviu-o confessar não conseguir esconder por mais tempo como gostava de tudo nela, o sorriso, o olhar e a pele morena.
Não lhe deu tempo nem discernimento para responder, puxou-a a si enlaçou-a e beijou-a, ela de cabeça à roda, com o chão a fugir-lhe debaixo dos pés pensou que ia desfalecer. 
Foi o seu primeiro beijo e nos dias que se seguiram andou na estratosfera: piorou da surdez natural aos 16 anos, a mãe chamava-a ela não ouvia, olhava sem ver o movimento de bocas sem sons. A realidade era tão boa que sonhava acordada e inexplicavelmente nunca mais conseguiu ler livros aos quadradinhos. 
Nos encontros na praia quase deserta dos pescadores, protegidos pelas dunas trocavam beijos e abraços e olhavam-se em silêncio congelando o tempo. Na realidade passavam horas até ela se esgueirar e correr em direcção àquela imensidão azul. Desafiava-o entrando nas vagas e a vontade de estar com ela levava-o a enfrentar aquele mar bravo também.
No dia em que o chão lhe voltou a fugir debaixo dos pés, tinha ido com a mãe às compras na vila. Em frente da confeitaria viu-o através da montra e de olhar já turvo ainda vislumbrou a "amiga". Segurava na mão um embrulho e sorria.
Envolta num turbilhão de sentimentos entrou em casa num pranto eminente adiado pelo pedido da mãe para preparar os legumes, tinha de sair depois do jantar.
Pegou numa cebola, cortou-a em rodelas tão finas quanto pode, sempre a chorar repetiu a operação até acabar com todas. Atirou-se às cenouras e aos alhos que transformou em picadinho, enquanto dissertava sobre a falsidade do ser humano e tudo o que de negativo possui essa raça, cortou-se no dedo indicador. Enxugou as lágrimas no pano de cozinha e o sangue e fixou aquela natureza morta, assassinada e esquartejada na bancada, 5 cebolas, 4 cenouras e 2 alhos franceses, ocorreu-lhe uma cena dramática do filme do ano, ao som da Cavalgada das Valquírias. Foi então, enquanto cortava os pimentos em tiras, que se apoderou dela um sentimento crescente de vingança pela dupla traição e os cortes com a faca tornaram-se mais precisos e lentos. A mãe mexia nos frascos das especiarias, o seu olhar recaiu sobre o piripiri, mas logo abandonou a ideia pois outro atraiu a sua atenção. Agora sim aquele ingrediente perfeito daria consistência ao seu plano.
Depois do jantar caminhou nervosa mas decidida ao encontro dos dois, nem deu pelo desacato entre a mulher dum pescador e uma turista francesa, tal era a sua concentração.
Nessa noite preparou ela o cacau em casa da amiga a quem entregou uma caneca e só depois a ele sem o fitar, dirigiu-se à porta de entrada, abriu-a e fugiu dali para fora só parando em casa.
De manhã custou-lhe muito acordar e nesse dia nem saíu de casa, a realidade já não lhe interessava preferia sonhar a dormir, mas no seguinte a mãe impaciente ordenou: 
-Levanta-te!
-Vou ao super comprar pimenta que desapareceu. A tua amiga veio cá outra vez e quer falar contigo, deixou um presente. Não demoro mas espreita a cor do assado no forno. Quando voltar quero ver-te de pé! 
Quando se viu só tentou conciliar as ideias, a mãe deixava-a muitas vezes confusa, sabia que só as mães conseguem pensar em tanta coisa diferente e dar tanta ordem em simultâneo.
Tirou o frasco da pimenta preta do bolso dos calções e apressou-se a colocá-lo junto às outras especiarias na cozinha, dirigiu-se à sala e curiosa pegou no embrulho.Desfez o laço bonito e rasgou o papel. Uma caixa de bombons, um cartão com um coração enorme e duas iniciais M e C. E se o arrependimento matasse ela tinha-se finado ali. 

Agora 2 anos depois, ali estava ele de novo. 
Voltaram ao passado com o tema inevitável Chocolate e Pimenta, a sua inicial era um C de Chocolate a dela deveria ser P de pimenta ou picante e não M, ou seria o M de Malagueta?
Entre risadas ela confessou só ter provado os bombons, depois de alguém ter comido o primeiro. Falaram da amiga que não voltara, provavelmente casara com um americano. Houve um momento sério em que ele lhe perguntou porque tinha desaparecido da sua vida, um mês após o episódio picante.
"O essencial é invisivel à vista", foi a frase de um livro preferido que lhe veio à cabeça, hesitou e sem querer magoá-lo respondeu com um encolher de ombros, beijou-lhe a face, sorriu , correu em direcção ao mar e nadou até se tornar num ponto.

Quis o acaso que se cruzassem 2 anos mais tarde em Lisboa, ele divorciado tinha duas gémeas, ela universitária e ainda em busca da essência.
Ele não chegou a saber que ela encontrou o que procurava, teve 2 gémeos e não voltou a enfrentar marés vivas.
Chocolat chaud épicé de Vianne, do livro le petit Larousse de Recettes de Famille de Joanne Harris et Fran Warde. 


Ingredientes para 2
40 cl de leite gordo
1/2 vagem de baunilha cortada longitudinalmente
1/2 pau de canela
1 malagueta cortada em duas e sem sementes
100 g de chocolate negro(70% cacau)
açúcar mascavado a gosto
chantilly, raspas de chocolate e cognac ou amaretto

Tradicional
Aqueça o leite com a baunilha, a canela e a malagueta, deixe ferver um minuto. Incorpore o chocolate em pedaços ou ralado até fundir, adicione o açúcar.Retire do lume e deixe em infusão 10 minutos, depois remova as especiarias. Leve ao lume até ferver e sirva numa chávena guarnecido com chantilly, pedaços de chocolate ou com um traço de cognac ou amaretto.

Thermomix
Coloque no copo o leite, a baunilha, a canela e a malagueta e marque 6 minutos, 90ºC, velocidade colher inversa. Junte o chocolate ralado ou em pedaços e selecione 3 minuto à mesma velocidade e temperatura.Remova as especiarias e sirva numa chávena guarnecido com chantilly, pedaços de chocolate ou com um traço de cognac ou amaretto.

Esta publicação foi uma das vencedoras do passatempo Chocolate e Picante da Casa das Letras, divulgado no Gourmets amadores, pela amiga Suzana. 
Fica a advertência: o picante deve ser usado com moderação;)

2011-12-02

Ceagesp


Visitei o CEAGESP da cidade de São Paulo num dia de varejão, a convite da Adriana que tive o prazer de conhecer quando cheguei ao Brasil.
Este entreposto comercial constituído por 13 unidades em todo o estado de São Paulo, cada uma similar ao MARL de Lisboa, abastece os mercados do mesmo estado.
A unidade de São Paulo situa-se na Vila Leopoldina e lá podemos econtrar peixe, carne, frutas, legumes, flores e plantas a preços em conta, com a confiança e orientação das cotações diárias do atacado, que podem ser consultadas no site
Apesar de praticar um comércio de atacado ou grossista, também organiza varejões, ou seja a venda ao público em quantidades menores.
Existem bancas de produtos orgânicos e a maior feira de flores do país tem lugar aqui, onde mais de mil produtores expõem numa área de 2 hectares. Adorei este sector onde tenciono voltar para comprar alguns arbustos e trepadeiras. 
Outra descoberta que me deixou radiante foi a existência de enchidos portugueses uma raridade por aqui, há de carne, morcelas e farinheiras.Fica a dica para algum português desesperado como eu :)
Ah! e o estacionamento é gratuito, facto não muito comum nesta cidade.


Horário do Varejão
Sábados: 6h às 12h30 
Domingos: 7h às 13h –entrada pelo portão 3
Quartas-feiras: 14h às 22h –entrada pelo portão 7