
A semana passada em conversa com a Laranjinha a propósito deste desafio, em tom de brincadeira e desculpa, comentei que a única sobremesa exequível por mim ( à falta de avós e de mãe doceira) no final da década de 60 era o pudim Mandarim. Pois bem não tive escolha, a Dona Laranjinha decidiu que seria essa a minha participação!
Nasci no início dos anos 60 e apesar do Mandarim ser um produto instantâneo, misteriosamente nunca faltou na despensa dos meus pais. Eu à semelhança do meu pai, adepto dos produtos naturais, neste contra-senso inexplicável continuo a fazê-lo para os meus filhos.
Esta caixa azul mágica tem o poder de me fazer viajar no tempo, numa profusão de sentidos e memórias até:
-aos verões passados na costa alentejana quase deserta, com os adultos vestidos na praia.
-às tardes em que me sentava com os meus irmãos em frente da TV a preto e branco na sala, à espera do inicio da emissão, para assistir a mais uma aventura do Franjinhas no Carossel Mágico.
-Aos cheiros da laca Elnnet Satin da minha mãe, do sabão Clarim nas roupas e da pasta medicinal Couto.
-Aos sabores da comida apurada da minha mãe, do saudoso Milo, do Nestum e da fruta dessa época.
Nos anos 60 tiveram lugar acontecimentos que me abriram novos mundos e também me fizeram sentir minúscula, porque pequena já eu era.
-A noite em que o meu pai nos autorizou a permanecer acordados para assistir na RTP, à chegada do homem à lua e as palavras proferidas por Neil Amstrong.
-A outra noite em que acordei assustada com a estante a abanar, os meus pais apareceram e levaram-nos rapidamente para o carro.Passámos o resto da noite a circular pelas ruas de Lisboa cheias de pessoas que o terramoto afugentou das suas casas, vestidas com pijamas e roupões como nós.
-Uma viajem ao Norte de África, em que senti medo do ar hostil da djellaba, tão diferente das nossas vestes.
- Uma prolongada viagem pela Europa em que vi muito, aprendi e fui acometida de uma imensa tristeza ao regressar. O Portugal escuro, sujo e triste onde tinha vivido feliz, fazia agora um profundo contraste com as outras cidades europeias tão bonitas que tinha conhecido.
A receita está no pacote mas faço-a sempre como a mãe ensinou.
Ingredientes
5 saquetas de pudim Mandarim
2 litros de leite meio gordo
10 colheres de sopa de açúcar
casca de um limão( sem a parte branca)
*caramelo caseiro
Preparação
Caramelo caseiro*-numa frigideira coloque açúcar e pouca água. Aqueça até obter um tom dourado ( não deixo escurecer, não me agrada o sabor amargo). Espalhe o caramelo pela forma.
Para o pudim-dos 2 litros de leite necessário , retire uma pequena porção e reserve.
O restante verta para um tacho com a casca de limão e leve ao lume a aquecer.
Entretanto numa taça misture o conteúdo das saquetas com o açúcar e o leite reservado, aos poucos, mexendo para evitar grumos.
Adicione o preparado ao leite morno, quando começar a ferver mantenha por 2 minutos sem parar de mexer e retire do lume.
Verta o pudim para a forma retirando as cascas, deixe arrefecer e leve algumas horas ao frigorífico.Desenforme e sirva frio.
A foto deste post ganhou o prémio fotografia do Concurso Conta-me a tua receita, lançado pela RTP através do Cinco Quartos de Laranja.
Nasci no início dos anos 60 e apesar do Mandarim ser um produto instantâneo, misteriosamente nunca faltou na despensa dos meus pais. Eu à semelhança do meu pai, adepto dos produtos naturais, neste contra-senso inexplicável continuo a fazê-lo para os meus filhos.
Esta caixa azul mágica tem o poder de me fazer viajar no tempo, numa profusão de sentidos e memórias até:
-aos verões passados na costa alentejana quase deserta, com os adultos vestidos na praia.
-às tardes em que me sentava com os meus irmãos em frente da TV a preto e branco na sala, à espera do inicio da emissão, para assistir a mais uma aventura do Franjinhas no Carossel Mágico.
-Aos cheiros da laca Elnnet Satin da minha mãe, do sabão Clarim nas roupas e da pasta medicinal Couto.
-Aos sabores da comida apurada da minha mãe, do saudoso Milo, do Nestum e da fruta dessa época.
Nos anos 60 tiveram lugar acontecimentos que me abriram novos mundos e também me fizeram sentir minúscula, porque pequena já eu era.
-A noite em que o meu pai nos autorizou a permanecer acordados para assistir na RTP, à chegada do homem à lua e as palavras proferidas por Neil Amstrong.
-A outra noite em que acordei assustada com a estante a abanar, os meus pais apareceram e levaram-nos rapidamente para o carro.Passámos o resto da noite a circular pelas ruas de Lisboa cheias de pessoas que o terramoto afugentou das suas casas, vestidas com pijamas e roupões como nós.
-Uma viajem ao Norte de África, em que senti medo do ar hostil da djellaba, tão diferente das nossas vestes.
- Uma prolongada viagem pela Europa em que vi muito, aprendi e fui acometida de uma imensa tristeza ao regressar. O Portugal escuro, sujo e triste onde tinha vivido feliz, fazia agora um profundo contraste com as outras cidades europeias tão bonitas que tinha conhecido.
A receita está no pacote mas faço-a sempre como a mãe ensinou.
Ingredientes
5 saquetas de pudim Mandarim
2 litros de leite meio gordo
10 colheres de sopa de açúcar
casca de um limão( sem a parte branca)
*caramelo caseiro
Preparação
Caramelo caseiro*-numa frigideira coloque açúcar e pouca água. Aqueça até obter um tom dourado ( não deixo escurecer, não me agrada o sabor amargo). Espalhe o caramelo pela forma.
Para o pudim-dos 2 litros de leite necessário , retire uma pequena porção e reserve.
O restante verta para um tacho com a casca de limão e leve ao lume a aquecer.
Entretanto numa taça misture o conteúdo das saquetas com o açúcar e o leite reservado, aos poucos, mexendo para evitar grumos.
Adicione o preparado ao leite morno, quando começar a ferver mantenha por 2 minutos sem parar de mexer e retire do lume.
Verta o pudim para a forma retirando as cascas, deixe arrefecer e leve algumas horas ao frigorífico.Desenforme e sirva frio.
A foto deste post ganhou o prémio fotografia do Concurso Conta-me a tua receita, lançado pela RTP através do Cinco Quartos de Laranja.



